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Estresse

 
Estresse no mundo pós-moderno: criamos um monstro?

Não é incomum ouvirmos falar do “famoso” estresse nas rodas de conversa, nos telejornais, nas broncas do nosso cardiologista ou nos programas de treinamento da empresa. Aparentemente, o mundo contemporâneo tem exigido muito de nós e o estresse parece ser o protagonista dessa história. Mas, será que o estresse é o verdadeiro vilão contemporâneo? Aliás, ele é realmente um vilão?
Primeiramente, devemos entender o que é o estresse e como ele funciona. O estresse é uma excitação emocional que perturba o equilíbrio biológico e psicológico, disparando um processo de adaptação do corpo à determinada situação que entendemos como grave ameaça. Ou seja, todos nós temos estresse: o papel dele é estimular o corpo a dar uma resposta imediata (fugir ou enfrentar) ou preparar nosso corpo para resistir a longos períodos de crise (por exemplo, no processo de luto de um ente querido, ou durante dificuldades financeiras). O estresse ocorre quando brigamos com nossos cônjuges, durante um assalto, ao nascimento de um filho, no trânsito, no diagnóstico de uma doença, na cobrança de um penalty na pelada de Quarta-feira e... até para subir uma escada! Portanto, a princípio, o mecanismo do estresse é benéfico e deveria ser disposto para nossa sobrevivência e adaptação no mundo. No entanto, atualmente não precisamos nos estressar caçando grandes animais para levar comida aos nossos filhos, ou tentando fazer uma fogueira nas cavernas para fugir do frio, como nossos ancestrais. Nós seres humanos contemporâneos transferimos o estresse para outras fontes “dispensáveis” para nossa sobrevivência (a fila do banco não parece ser muito ameaçadora, mas dependendo de como encaramos a situação, nosso corpo entende que estamos sob grave ameaça e libera os mecanismos de estresse do mesmo jeito). 
Os principais responsáveis pelos mecanismos fisiológicos do estresse são o Hipotálamo (que reconhece o estímulo estressor, por exemplo, o chefe pedindo para você entregar o relatório em 30 minutos), passando pela hipófise (que reconhece o estímulo) e as glândulas suprarrenais (que são estimuladas pela hipófise), liberando endorfina, cortisol (antiinflamatório) e adrenalina, que prepara o corpo para grande esforço físico, acelerando o ritmo cardíaco, aumentando a tensão arterial, e desviando o sangue para os músculos. É por isso que ficamos pálidos em situação de estresse, o sangue é transferido para os músculos para que possamos fugir ou enfrentar a situação. No exemplo dado anteriormente, em que o chefe pede que o relatório seja entregue em 30 minutos, a palidez provavelmente vai aparecer. Agora já sabes o por quê. Outras mudanças decorrentes do estresse é o suor (para esfriar a temperatura corporal), a respiração ofegante (maior captação de oxigênio pelo corpo), disfunção erétil/baixa libido, dilatação da pupila e uma melhora da visão periférica (que em excesso faz com que não percebamos os detalhes! Uma armadilha para pessoas que trabalham com ferramentas ou objetos perigosos).  
Como podemos perceber por meio do texto, o estresse, na teoria, não é algo ruim; é perfeitamente natural; sempre existiu; e todos nós temos níveis, mesmo que baixos, de estresse. O que estamos fazendo é deixar o estresse sair do nível considerado normal, deixando-o chegar a níveis de completa exaustão (Burnout), comprometendo nossa vida pessoal e profissional como um todo, facilitando as cardiopatias, fobias, problemas sexuais, entre outros.
Como não há “receitas de bolo” para lidar com o estresse, por ser multifatorial, o mais indicado é procurar um médico e um psicólogo. Cada um, dentro de suas atribuições profissionais, pode lhe ajudar. Mas, no geral, manter alimentação e sono saudáveis, praticar exercícios físicos, utilizar técnicas de relaxamento, adaptar-se melhor às mudanças, ter fontes de prazer, pensamento positivo, bom humor e comportamento assertivo ajudam a diminuir os efeitos do estresse. Outra dica importante: COMPARTILHE! O fardo não pode ser maior do que podemos carregar. 

Tiago Fernandes Oliveira, Psicólogo. 

 

Tiago Fernandes Oliveira